Cobertura de migrações ainda enfrenta desafios éticos, apontam especialistas
- 24 de abr.
- 2 min de leitura
Por Mariana Elmore
Acadêmica do Curso de Jornalismo
Evento, em parceria com ACNUR, reuniu estudantes do PPGCOM e dos cursos de Jornalismo e de Relações Internacionais, para discutir os impactos da desinformação e do discurso de ódio na cobertura sobre migrações e refúgio em Roraima.

A cobertura jornalística sobre migrações e refúgio ainda enfrenta desafios éticos, especialmente diante do avanço da desinformação e do discurso de ódio. O tema foi debatido durante uma formação em jornalismo humanitário promovida pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR), agência da ONU para refugiados, na Universidade Federal de Roraima, que reuniu estudantes e profissionais da comunicação e de Relações Internacionais.
Durante a palestra, o Oficial de Comunicação do ACNUR, Miguel Pachioni, destacou como conteúdos desinformativos são construídos e disseminados, muitas vezes associando temas distintos para gerar interpretações equivocadas. Segundo ele, a ligação entre migrações e problemas sociais, como saúde pública ou criminalidade, pode ser resultado de manipulações narrativas.
“Há uma associação muito clara de uma questão de saúde pública com o deslocamento de pessoas que buscam proteção internacional”, afirmou. O palestrante também alertou para o uso de manchetes, gráficos e vídeos fora de contexto, que contribuem para reforçar percepções distorcidas.

Cobertura migratória em Roraima
A discussão ganha relevância em Roraima, estado que concentra grande fluxo migratório, especialmente de venezuelanos, e onde o tema está presente no cotidiano da população e da imprensa local. Para a jornalista Adriele Lima, também mestranda no PPGCOM com pesquisa sobre migrações e plataformas digitais, um dos principais desafios enfrentados pelos profissionais da área é justamente lidar com a presença de discursos preconceituosos. “A xenofobia ainda é muito enraizada. É difícil produzir conteúdo que vá contra esses discursos, mas é necessário”, afirmou.

A formação também contou com a participação de estudantes de Relações Internacionais, que trouxeram uma perspectiva mais ampla sobre o fenômeno migratório. Para o acadêmico Lucas Gadelha, a atuação na área humanitária exige sensibilidade e preparo diante das situações de vulnerabilidade.

“A área humanitária é muito desafiadora e está muito presente aqui no estado. A gente convive com essas realidades e precisa lidar com elas de forma responsável. É uma área muito sensível. Ao mesmo tempo que é gratificante, também é preocupante e exige cuidado.” – Lucas Gadelha, graduando em Relações Internacionais.
A programação incluiu ainda a abertura de uma exposição sobre migrações globais, que permanece exposta no hall do Bloco I – Centro de Comunicação, Letras e Artes da UFRR ao longo do mês de abril. A entrada é gratuita e a visita pode ser realizada das 8h às 21h em dias úteis.



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