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Caos na saúde indígena

  • 24 de jun. de 2025
  • 3 min de leitura

Após interferência política indígenas mantém mobilização por tempo indeterminado

Por Edilson Rodrigues e Maciel Luiz 


 Indígenas em frente ao Dsei – Foto: Maciel Luiz
 Indígenas em frente ao Dsei – Foto: Maciel Luiz

O descaso com a saúde indígena em Roraima, levou lideranças tradicionais e comunidades de diferentes organizações dos povos Macuxi, Wapichana, Taurepang, Ingaricó, Patamona e Sapará a ocuparem a sede do Distrito Sanitário Especial Indígena Leste de Roraima (DSEI – Leste RR).


O movimento indígena relata que a ocupação é a maneira de chamar atenção das autoridades. Que por falta de medicamentos, transporte para remoção dos pacientes, equipes médicas o atendimento foi paralisado nos postos de saúde por tempo indeterminado. 


O DSEI – Leste RR é um órgão que atende 32 terras indígenas que se estende pelo território de 11 municípios do estado de Roraima, onde tem 38 polos – base e 11 etno - regiões administrativa. E a três meses a sede estava sem coordenação após Zelandes Alberto de Oliveira ser exonerado do cargo. 


Nas últimas semanas lideranças indígenas cobraram a nomeação e a publicação do nome da enfermeira Leticia Monteiro, candidata foi escolhida pelo movimento indígena. 


Indígenas com cartazes - Foto: Maciel Luiz
Indígenas com cartazes - Foto: Maciel Luiz

Seguindo o pedido o Ministro da Saúde Alexandre Padilha no dia 16 de maio, nomeou a indígena Leticia para exercer o cargo de coordenação, mas o nome não foi divulgado no Diário Oficial da União (DOU). E dois dias depois o próprio ministro, cancelou a nomeação e a portaria da enfermeira, gerando revolta ao movimento.


Para os indígenas o governo não atende as orientações da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que garante o direito dos povos indígenas de definir suas próprias prioridades, por consulta prévia, na medida em que condizem sobre suas vidas, crenças, valores espirituais e a próprias terras que ocupam. 


A falta de atenção a essa medida gera um atendimento falho e ineficiente à saúde dos povos indígenas. O Governo, por atender interesses políticos partidários, faz do Dsei moeda de troca e negligencia o atendimento à saúde indígena. 


Amarildo Macuxi , Tuxaua Geral do CIR - Foto: Caique Souza
Amarildo Macuxi , Tuxaua Geral do CIR - Foto: Caique Souza

Em entrevista o Tuxaua Geral do Conselho Indígena de Roraima (CIR) Amarildo Mota relatou que:


“Há disputa política pela coordenação do DSEI, mas queremos a nomeação do nosso indicado. Nós estamos aqui mobilizados pegando chuva, sol e tem pessoas se aproveitando da nossa luta que antes elas mesmas eram contra”, disse Amarildo Macuxi.


O líder afirmou que não deixarão o local até que suas demandas sejam atendidas e expressou a sua preocupação com cenário atual da saúde indígena.


Irisnaide Presidente da SODIURR – fonte: arquivo pessoal
Irisnaide Presidente da SODIURR – fonte: arquivo pessoal

Por outro lado, indígenas de organizações contrarias ao do CIR, destacam a importância da união entre os povos indígenas. Em entrevista, a presidente da Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima (SODIURR) Irisnaide ressaltou que;


É fundamental que trabalhemos juntos e não tomemos decisões sozinhas. O CIR, por exemplo, precisa considerar a opinião de outras organizações indígenas”.


Na primeira semana de julho, a enfermeira e ex-diretora do Hospital de Pacaraima Lindinalva Lopes Marques foi nomeada e a portaria publicada no Diário Oficial da União (DOU), para exercer o cargo de coordenadora do DSEI – Leste RR.


A ocupação da sede segue de maneira pacífica, esperando resposta do ministro sobre qual o motivo do cancelamento do nome da enfermeira Letícia Monteiro, candidata escolhida pelo movimento indígena. As atividades dentro do DSEI estão funcionando normalmente no horário institucional.



 
 
 

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