PROTETORES ENFRENTAM CRISE DO ABANDONO DE ANIMAIS EM BOA VISTA
Diante do crescimento do número de cães e gatos abandonados, protetores investem em castração, adoção responsável e educação da população para reduzir os casos na capital.
Por: Kailane Souza, Gustavo Santos e Ranior Almeida.
Acadêmicos de Jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR)
Boa Vista ainda não possui um levantamento oficial que indique quantos cães e gatos vivem em situação de rua. A falta de dados dificulta a criação de políticas públicas mais amplas e impede que o problema seja dimensionado com precisão. Enquanto isso, protetores independentes convivem diariamente com abandono, maus-tratos e acidentes envolvendo animais nas ruas da capital.
A situação já provoca reflexos em diferentes espaços da cidade. Em 2025, estudantes da Universidade Federal de Roraima denunciaram ataques frequentes de cães dentro do Campus Paricarana. Segundo relatos publicados pela FolhaBV, alunos chegaram a sofrer mordidas e procuraram atendimento médico após os ataques.
Os casos reforçam um problema que vai além da causa animal e passa também pela saúde pública e segurança da população. Sem controle populacional efetivo e políticas contínuas, animais abandonados acabam expostos à fome, doenças e acidentes, enquanto moradores convivem com situações de risco.
Diante desse cenário, uma iniciativa criada por voluntários tenta construir caminhos de solução por meio da conscientização, castração e adoção responsável. A Associação dos Protetores Independentes de Roraima (APIRR) https://www.instagram.com/apirr_oficial?utm_source=ig_web_button_share_sheet&igsh=ZDNlZDc0MzIxNw== surgiu há quase dois anos para fortalecer a rede de apoio aos protetores que atuam nas ruas de Boa Vista.
Segundo a presidente da associação, Kelli Jane, a entidade nasceu da necessidade de unir forças em uma causa que ainda enfrenta pouca estrutura pública.
“Hoje a associação procura ajudar os protetores que lutam na rua todos os dias resgatando animais, fazendo rifas, vaquinhas e buscando recursos.”

Ela explica que, apesar dos avanços recentes em programas de castração gratuita, os protetores ainda enfrentam dificuldades para custear tratamentos veterinários, principalmente em casos de animais atropelados ou com doenças virais.
“As cirurgias ortopédicas são muito caras. Tem protetor que não consegue pagar sozinho."
Castração como prevenção
Entre as soluções defendidas pela associação, a castração aparece como uma das principais estratégias para reduzir o abandono e o crescimento descontrolado da população animal.
Nos últimos anos, Boa Vista passou a contar com mais iniciativas voltadas ao controle populacional, como o castramóvel e programas gratuitos de atendimento veterinário. Para os protetores, no entanto, apenas oferecer o serviço não resolve completamente o problema: é preciso conscientizar os tutores sobre responsabilidade animal.
O protetor animal Elcio Abreu acredita que o cuidado começa dentro de casa.
“Se todo mundo se conscientizar e castrar seus animais, a gente consegue ter mais controle e cuidar melhor deles.”

Ele afirma que muitos abandonos começam quando os tutores não conseguem manter os filhotes após novas crias.
“Às vezes a pessoa quer deixar o ciclo natural acontecer, mas depois não consegue cuidar.”
Feiras de adoção ampliam resultados
Outra resposta encontrada pela APIRR foi investir em feiras de adoção e parcerias com outras instituições. Segundo Kelly, antes das ações conjuntas, as feiras registravam cerca de cinco adoções por edição. Hoje, os números cresceram significativamente.
Uma das ações mais recentes aconteceu em Boa Vista durante uma feira de adoção promovida em parceria com a Operação Acolhida e organizações da causa animal. O evento resultou na adoção de dezenas de cães e gatos resgatados. A iniciativa buscou aproximar a população dos animais acolhidos e incentivar a adoção responsável.
Segundo a presidente da associação, o impacto das feiras vai além dos números. “Na primeira feira que fizemos em parceria, foram 22 adoções. Depois tivemos 28 e até 32 animais adotados. O animal sente frio, sente dor e precisa de cuidado. Toda ajuda faz diferença.”
Além das adoções, a associação promove caminhadas de conscientização contra maus-tratos e mantém uma rede de parceiros que oferece descontos em clínicas veterinárias e pet shops para associados.
Conversamos com o protetor Elcio Abreu, que participou de feiras e já adotou animais. Confira no vídeo a seguir.
Como a população pode ajudar
A associação destaca que ajudar a causa animal não significa necessariamente adotar um cachorro ou gato. Outra alternativa é o apadrinhamento de animais acolhidos por ONGs e protetores independentes.
Segundo Kelly, contribuições com ração, medicamentos e exames veterinários já ajudam a manter os resgates.
Hoje, a APIRR reúne cerca de 110 associados e busca ampliar o diálogo com a população sobre responsabilidade animal e saúde pública.
Serviço
Quem quiser adotar, apadrinhar ou se tornar associado pode entrar em contato com a associação “A mensalidade custa R$ 20 e ajuda a financiar ações de resgate, feiras de adoção e apoio aos protetores independentes."
Contato e Endereço
E-mail: maxandre11@hotmail.com
Whatsapp: (95) 98120-7915
Logradouro: Rua Paulo Vi, 111, Mecejana, CEP: 69304-160 - Boa Vista - RR.




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