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Falta de profissionais e oferta limitada de Implanon dificultam acesso a métodos contraceptivos nas UBSs de Roraima

  • há 2 horas
  • 4 min de leitura

Carência de profissionais capacitados e a alta demanda por métodos contraceptivos de longa duração desafiam o atendimento nas UBSs de Boa Vista


Por: Ana Rosa, Isabela Maria, Jade Alexany, Júlio Almeida, Marcelo Cauã, Anenúbia Cellyne

Acadêmicos do 1º semestre de Jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR)


Preservativos estão entre os métodos contraceptivos disponibilizados pelo SUS nas unidades de saúde. 	Foto: Isabela Maria
Preservativos estão entre os métodos contraceptivos disponibilizados pelo SUS nas unidades de saúde. Foto: Isabela Maria

O acesso aos métodos contraceptivos gratuitos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é um direito garantido pela Lei nº 9.263/1996, que regulamenta o planejamento familiar no Brasil. Em Roraima, especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a procura por esses serviços tem aumentado devido ao crescimento populacional e ao intenso fluxo migratório registrado nos últimos anos.


Nas UBSs são disponibilizados métodos como preservativos masculinos e femininos, anticoncepcionais orais, injetáveis, o Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre e, em situações específicas, o implante contraceptivo Implanon. De acordo com informações da Coordenação Estadual de Gestão da Assistência Farmacêutica (CEGAF), os métodos mais procurados pela população são os anticoncepcionais injetáveis, orais e o Implanon.

Segundo a servidora Redva, da CEGAF, um dos principais obstáculos para aumentar a oferta do DIU não está na disponibilidade do dispositivo, mas na falta de profissionais habilitados para realizar a inserção.


"Hoje, uma das maiores dificuldades para ampliar a implantação do DIU é a falta de profissionais capacitados para fazer o procedimento. Mesmo quando tem o método disponível, a falta de equipes treinadas acaba limitando o acesso das mulheres."


A servidora também destacou que outro desafio enfrentado pelo estado é a quantidade limitada de Implanon (implante contraceptivo de longa duração). Segundo Redva, o número de unidades disponibilizadas ainda é insuficiente para atender toda a demanda existente, o que faz com que o método seja direcionado prioritariamente a públicos específicos definidos pelos protocolos do Ministério da Saúde.


As dificuldades apontadas pela gestão estadual também são percebidas na rotina das unidades de saúde. Em entrevista, a farmacêutica Angélica Sousa, da Unidade Básica de Saúde Asa Branca, confirmou que a unidade não realiza a inserção do DIU devido à ausência de profissionais qualificados para executar o procedimento.


Segundo a farmacêutica, a procura pelos métodos contraceptivos de longa duração tem crescido na unidade. Ela informou ainda que a UBS recebeu 50 unidades do implante contraceptivo no último mês, quantidade considerada suficiente apenas para atender parte da demanda existente na UBS.


Além dos desafios relacionados ao acesso, a escolha do método contraceptivo também deve considerar as necessidades e condições de saúde de cada paciente. Para a médica ginecologista Dra. Luciana Arcoverde, embora os métodos de longa duração tenham ganhado espaço nos últimos anos, a pílula anticoncepcional ainda é a opção mais utilizada pelas mulheres.


A ginecologista explica que, atualmente, o interesse por métodos como o Implanon e o DIU tem crescido, principalmente entre mulheres jovens e adolescentes, devido à praticidade e à alta eficácia desses contraceptivos. Apesar desse crescimento, a especialista reforça que a escolha do método contraceptivo não deve ser feita sem acompanhamento profissional.


"Jamais faça planejamento familiar sem orientação especializada. Muitas vezes, o método que você havia idealizado pode não ser o mais adequado. Existem muitas possibilidades e certamente uma delas será aquela que vai lhe garantir viver uma experiência melhor em sua sexualidade, com segurança e sem riscos."

A orientação da médica reforça a importância do planejamento familiar oferecido pelo SUS, que não se limita à distribuição de contraceptivos, mas inclui atendimento individualizado para que cada paciente receba informações e acompanhamento na escolha do método mais adequado ao seu perfil e às suas condições de saúde.


A realidade enfrentada pelos usuários também evidencia as dificuldades no acesso aos métodos contraceptivos de longa duração. A moradora Luendy, acompanhada pelo pré-natal na rede pública de saúde, aguarda desde março pela inserção do Implanon.


Segundo ela, desde o início do acompanhamento, foi incluída na lista de espera por fazer o pré-natal pelo SUS, grupo que possui prioridade para receber o método. No entanto, foi informada pela equipe da Unidade Básica de Saúde de que não há previsão para a chegada de novas unidades do implante.


"Eu tenho interesse em colocar o DIU. Enquanto fazia o pré-natal pelo SUS, eu já fui colocada na fila de espera para receber o Implanon, mas disseram que está em falta e que ainda não tem previsão de chegada na UBS. A equipe informou que entrará em contato quando o implante estiver disponível."


O relato de Luendy reforça as dificuldades apontadas pelos profissionais da rede pública. Embora exista prioridade para gestantes acompanhadas pelo SUS no acesso ao Implanon, a oferta limitada do método faz com que pacientes permaneçam meses aguardando atendimento. No caso da entrevistada, a espera já ultrapassa três meses, evidenciando a discrepância entre a demanda da população e a disponibilidade do contraceptivo nas unidades de saúde.


Enquanto métodos como preservativos, pílulas e anticoncepcionais injetáveis e orais costumam estar disponíveis regularmente nas unidades de saúde, procedimentos como a inserção do DIU dependem de consulta médica, avaliação clínica e da presença de profissionais qualificados, o que pode aumentar o tempo de espera para as pacientes.


Além da crescente procura pelos serviços de planejamento familiar, o aumento da população de Boa Vista, impulsionado também pelo fluxo migratório, tem pressionado a rede pública de saúde. Esse cenário exige investimentos constantes na capacitação de profissionais, ampliação da oferta de métodos contraceptivos e fortalecimento da estrutura das unidades básicas.


O planejamento familiar oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) vai além da distribuição de métodos contraceptivos, o serviço inclui ações de orientação em saúde sexual e reprodutiva, aconselhamento e acesso aos diferentes métodos contraceptivos. Em Roraima no entanto, os desafios para garantir esse direito permanecem. As informações repassadas pelas servidoras Redva e Angélica, evidenciam que a ampliação do planejamento familiar depende não apenas do fornecimento de insumos, mas também de investimentos em qualificação das equipes de saúde, na organização do atendimento e fortalecimento da assistência prestada nas UBSs.


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