Falta de profissionais e oferta limitada de Implanon dificultam acesso a métodos contraceptivos nas UBSs de Roraima
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Carência de profissionais capacitados e a alta demanda por métodos contraceptivos de longa duração desafiam o atendimento nas UBSs de Boa Vista
Por: Ana Rosa, Isabela Maria, Jade Alexany, Júlio Almeida, Marcelo Cauã, Anenúbia Cellyne.
Acadêmicos do 1º semestre de Jornalismo da Universidade Federal de Roraima (UFRR)

O acesso aos métodos contraceptivos gratuitos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) é um direito garantido pela Lei nº 9.263/1996, que regulamenta o planejamento familiar no Brasil. Em Roraima, especialmente nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), a procura por esses serviços tem aumentado devido ao crescimento populacional e ao intenso fluxo migratório registrado nos últimos anos.
Nas UBSs são disponibilizados métodos como preservativos masculinos e femininos, anticoncepcionais orais, injetáveis, o Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre e, em situações específicas, o implante contraceptivo Implanon. De acordo com informações da Coordenação Estadual de Gestão da Assistência Farmacêutica (CEGAF), os métodos mais procurados pela população são os anticoncepcionais injetáveis, orais e o Implanon.
Segundo a servidora Redva, da CEGAF, um dos principais obstáculos para aumentar a oferta do DIU não está na disponibilidade do dispositivo, mas na falta de profissionais habilitados para realizar a inserção.
"Hoje, uma das maiores dificuldades para ampliar a implantação do DIU é a falta de profissionais capacitados para fazer o procedimento. Mesmo quando tem o método disponível, a falta de equipes treinadas acaba limitando o acesso das mulheres."
A servidora também destacou que outro desafio enfrentado pelo estado é a quantidade limitada de Implanon (implante contraceptivo de longa duração). Segundo Redva, o número de unidades disponibilizadas ainda é insuficiente para atender toda a demanda existente, o que faz com que o método seja direcionado prioritariamente a públicos específicos definidos pelos protocolos do Ministério da Saúde.
As dificuldades apontadas pela gestão estadual também são percebidas na rotina das unidades de saúde. Em entrevista, a farmacêutica Angélica Sousa, da Unidade Básica de Saúde Asa Branca, confirmou que a unidade não realiza a inserção do DIU devido à ausência de profissionais qualificados para executar o procedimento.
Segundo a farmacêutica, a procura pelos métodos contraceptivos de longa duração tem crescido na unidade. Ela informou ainda que a UBS recebeu 50 unidades do implante contraceptivo no último mês, quantidade considerada suficiente apenas para atender parte da demanda existente na UBS.
Além dos desafios relacionados ao acesso, a escolha do método contraceptivo também deve considerar as necessidades e condições de saúde de cada paciente. Para a médica ginecologista Dra. Luciana Arcoverde, embora os métodos de longa duração tenham ganhado espaço nos últimos anos, a pílula anticoncepcional ainda é a opção mais utilizada pelas mulheres.
A ginecologista explica que, atualmente, o interesse por métodos como o Implanon e o DIU tem crescido, principalmente entre mulheres jovens e adolescentes, devido à praticidade e à alta eficácia desses contraceptivos. Apesar desse crescimento, a especialista reforça que a escolha do método contraceptivo não deve ser feita sem acompanhamento profissional.
"Jamais faça planejamento familiar sem orientação especializada. Muitas vezes, o método que você havia idealizado pode não ser o mais adequado. Existem muitas possibilidades e certamente uma delas será aquela que vai lhe garantir viver uma experiência melhor em sua sexualidade, com segurança e sem riscos."
A orientação da médica reforça a importância do planejamento familiar oferecido pelo SUS, que não se limita à distribuição de contraceptivos, mas inclui atendimento individualizado para que cada paciente receba informações e acompanhamento na escolha do método mais adequado ao seu perfil e às suas condições de saúde.
A realidade enfrentada pelos usuários também evidencia as dificuldades no acesso aos métodos contraceptivos de longa duração. A moradora Luendy, acompanhada pelo pré-natal na rede pública de saúde, aguarda desde março pela inserção do Implanon.
Segundo ela, desde o início do acompanhamento, foi incluída na lista de espera por fazer o pré-natal pelo SUS, grupo que possui prioridade para receber o método. No entanto, foi informada pela equipe da Unidade Básica de Saúde de que não há previsão para a chegada de novas unidades do implante.
"Eu tenho interesse em colocar o DIU. Enquanto fazia o pré-natal pelo SUS, eu já fui colocada na fila de espera para receber o Implanon, mas disseram que está em falta e que ainda não tem previsão de chegada na UBS. A equipe informou que entrará em contato quando o implante estiver disponível."
O relato de Luendy reforça as dificuldades apontadas pelos profissionais da rede pública. Embora exista prioridade para gestantes acompanhadas pelo SUS no acesso ao Implanon, a oferta limitada do método faz com que pacientes permaneçam meses aguardando atendimento. No caso da entrevistada, a espera já ultrapassa três meses, evidenciando a discrepância entre a demanda da população e a disponibilidade do contraceptivo nas unidades de saúde.
Enquanto métodos como preservativos, pílulas e anticoncepcionais injetáveis e orais costumam estar disponíveis regularmente nas unidades de saúde, procedimentos como a inserção do DIU dependem de consulta médica, avaliação clínica e da presença de profissionais qualificados, o que pode aumentar o tempo de espera para as pacientes.
Além da crescente procura pelos serviços de planejamento familiar, o aumento da população de Boa Vista, impulsionado também pelo fluxo migratório, tem pressionado a rede pública de saúde. Esse cenário exige investimentos constantes na capacitação de profissionais, ampliação da oferta de métodos contraceptivos e fortalecimento da estrutura das unidades básicas.
O planejamento familiar oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) vai além da distribuição de métodos contraceptivos, o serviço inclui ações de orientação em saúde sexual e reprodutiva, aconselhamento e acesso aos diferentes métodos contraceptivos. Em Roraima no entanto, os desafios para garantir esse direito permanecem. As informações repassadas pelas servidoras Redva e Angélica, evidenciam que a ampliação do planejamento familiar depende não apenas do fornecimento de insumos, mas também de investimentos em qualificação das equipes de saúde, na organização do atendimento e fortalecimento da assistência prestada nas UBSs.
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