De imigrante venezuelana a empreendedora: a trajetória de Katherine Mota no setor de energia solar em Roraima
- 6 de jun.
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Após chegar a Boa Vista em busca de tratamento médico para o filho, Katherine moreno encontrou no setor de energia solar uma oportunidade de empreender e reconstruir sua vida.
Por Cleber Portugal, Thais Barbosa e Dielen Silva
O que seria uma estadia de 15 dias em Boa Vista acabou se tornando uma nova etapa de sua vida. A imigrante venezuelana Katherine Mota chegou a Roraima com o intuito de buscar melhores condições médicas para seu filho, mas no meio tempo encontrou no estado uma oportunidade de recomeçar e construir o próprio negócio.

“Eu vim inicialmente para passar só 15 dias. A intenção não era ficar, era somente procurar outra opção médica para meu filho”, contou.
Segundo a empresária Katherine Mota, a família decidiu permanecer em Boa Vista após perceber que a cidade oferecia melhores condições para o acompanhamento médico da criança e mais oportunidades de estabilidade no estado.
No começo, ela trabalhou com serviços de faxina, realizou trabalhos manuais e vendeu comidas típicas venezuelanas para ajudar no sustento da família. Com o passar do tempo, a família começou a observar o crescimento do mercado de energia solar em Roraima e decidiu investir no setor.
“A gente começou a conhecer o setor de energia solar. Vimos isso como uma oportunidade de negócio e também como uma forma de ajudar famílias e empresas a reduzirem seus custos e investirem em um futuro mais sustentável”, afirmou a empresária.
O investimento no setor ocorreu em um momento de crescimento da energia solar em Roraima. O estado possui forte incidência solar durante grande parte do ano, fator que favorece o aumento da busca por esse tipo de geração energética.
Segundo dados do portal solar, a geração fotovoltaica vem crescendo em Roraima, acompanhando uma tendência observada em todo o país. O aumento dos custos da energia elétrica também tem contribuído para que consumidores busquem alternativas capazes de reduzir gastos a longo prazo.
Além disso, em 2026, a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) aprovou reajuste médio de 24,13% nas tarifas da Roraima Energia. Para consumidores residenciais, o aumento foi de 22,69%.
Outro fator que impacta o bolso dos consumidores é a bandeira tarifária amarela. Segundo a ANEEL, a cobrança adicional é de R$ 1,88 para cada 100 kWh consumidos.

Katherine conta que os primeiros anos de empreendimento foi marcado por dificuldades. “No início foi muito difícil fechar com o primeiro cliente. A gente ia para a rua andando, pegando sol e chuva, oferecendo os nossos serviços. Mesmo acompanhado de uma equipe de profissionais, tivemos bastante dificuldade”, lembra.
Segundo ela, a condição de estrangeira e a barreira de idioma contribuíram para a desconfiança de alguns clientes. “As pessoas acreditavam que a gente ia roubar ela e voltar para a Venezuela com o dinheiro deles”, relata.
A empreendedora afirma que houve momentos em que pensou em desistir. Durante um período, família chegou a passar dois meses sem conseguir novos clientes.
“Empreender já é um desafio e, quando a gente, como imigrante, tenta fazer uma coisa diferente, é um obstáculo ainda maior”, afirma.
Mesmo diante das dificuldades, Katherine buscou capacitação para continuar investindo no negócio. “A gente buscou ajuda do Sebrae através dos cursos de capacitação, algo que foi muito importante. Depois conseguimos apoio de outras pessoas ligadas ao ramo”.
Segundo a empresária, a família foi fundamental para superar os desafios.
“Tive momentos em que pensei em desistir, principalmente quando os resultados demoraram a aparecer. Mas sempre lembrava da minha família e do motivo pelo qual comecei”.

O técnico em energia solar Javier Barrios, que assim como Katherine também é imigrante venezuelano, acompanha o aumento da procura por sistemas fotovoltaicos em Roraima e aponta o perfil dos clientes. “Hoje quem mais procura energia solar é a classe média trabalhadora”, afirma.
Para ele, o motivo desse crescimento é financeiro.
“A procura aumentou por causa do aumento do quilowatt-hora cobrado pela concessionária Roraima Energia”, explica.
Além disso, o estado conta com uma grande vantagem geográfica.
“A irradiação solar em Roraima é ótima, o que favorece bastante a produção de energia solar”, ressalta.
Ao atender os clientes, Javier nota que a principal dúvida é sobre a eficiência das placas.
“A maior preocupação é saber se a quantidade de quilowatts instalada será suficiente para cobrir todo o consumo”, diz.
Por isso, ele alerta para a necessidade de uma vistoria prévia e um bom planejamento, evitando a falha mais frequente do mercado.
“É importante verificar o telhado e também a adequação do padrão de energia antes da instalação”, orienta.
“O erro mais comum é quando o dimensionamento não cobre todo o consumo necessário”, explica.
Sobre a parte prática, o técnico resume o passo a passo do trabalho.
“Primeiro acontece a fase de pré-instalação, quando conferimos todo o material e verificamos o que será necessário. Depois vem a instalação da estrutura, das placas solares e do inversor”, detalha.
No fim das contas, o investimento traz um retorno que vai além do setor elétrico.
“A economia é a base de tudo. Com a redução dos gastos com energia, sobra mais recurso para investir em outras áreas”, conclui.

O aumento da tarifa de energia elétrica tem impactado diretamente o orçamento das famílias roraimenses. Segundo a contadora Darlene Maia, a alta dos custos reduz o poder de compra da população e exige adaptações nas despesas domésticas. “O aumento afeta significativamente o orçamento, pois o poder de compra diminui. O que antes poderia ser gasto com alimentação, por exemplo, muitas vezes precisa ser direcionado para o pagamento de energia”, explica.
Ela destaca que os pequenos empreendedores também enfrentam dificuldades diante do aumento das tarifas. “Os empreendedores sentem esse impacto no aumento dos produtos, pois precisam repassar esses custos para os clientes”, afirma.
Para a especialista, a energia solar vem se consolidando como uma alternativa para reduzir despesas ao longo prazo. “A energia solar tem sido um grande auxílio na economia da energia”, destaca.
Na avaliação da contadora, o aumento da conta de luz tem levado famílias e empresas a buscarem soluções capazes de proporcionar mais economia e previsibilidade financeira. “No meu ponto de vista, a energia solar traz mais liberdade de uso e redução das despesas da casa”, concluiu.
Atualmente, Katherine vê sua trajetória como resultado da persistência diante dos desafios enfrentados desde sua chegada em solo roraimense.
“Cada obstáculo nós fomos transformando em aprendizagem e conhecimento para fazer o trabalho melhor, para que pudéssemos dessa forma conquistar a confiança das pessoas”, finalizou.
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