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Da roça à mesa do Roraimense: Conheça a história de Sandra Laurindo, produtora de farinha de mandioca

  • 7 de jun.
  • 3 min de leitura

Atualizado: 8 de jun.

Por:Jhennifer Silva, Kayla Silva e Keissy Julienne

 


Região Serra da Lua, Município de Cantá, Comunidade Indígena Canauanim. É onde vive Sandra Laurindo de Oliveira, indígena da etnia Wapichana, moradora da comunidade desde o seu nascimento. Mãe de 4 filhos, Sandra tira o sustento da família da tradicional iguaria indígena, a farinha de mandioca.


A farinha de mandioca é originalmente um alimento indígena que representa mais do que uma simples prática culinária, para Sandra, além de ser o sustento, é também expressão da identidade cultural, um alimento que preserva conhecimentos ancestrais passados de geração em geração e ajuda a promover a sustentabilidade.


Para produzir a farinha de mandioca, Sandra depende diretamente da roça, espaço onde cultiva a matéria-prima que sustenta sua atividade econômica. É na terra preparada e cuidada pela família que a mandioca cresce antes de passar por um longo processo de colheita, lavagem, fermentação, moagem e torrefação. Mais do que fornecer o alimento que chega à mesa de milhares de roraimenses, a roça representa o início de uma cadeia produtiva construída com trabalho, conhecimento tradicional e forte ligação com o território indígena.


Sua história com a roça começou ainda na adolescência, quando a produtora decidiu parar os estudos para acompanhar sua mãe.


“Aos treze anos eu desisti da escola, minha mãe não tinha ajuda financeira, o sustento que ela tinha era e ainda é da roça. Por isso desisti dos estudos, para ir com ela. Até hoje é de onde a gente tira o nosso sustento”, contou Sandra.

Produtora há quase 25 anos, Sandra retrata a roça como muito mais do que um local de cultivo. Para ela, é um espaço que reúne trabalho, tradição e a história de sua família. Foi na roça que aprendeu os conhecimentos transmitidos por sua mãe e seus antepassados, desenvolveu sua principal fonte de renda e construiu os meios para criar os filhos. Entre o plantio e a colheita, Sandra encontrou não apenas sustento financeiro, mas também um vínculo com sua identidade cultural e com as raízes de seu povo.


“A roça é meu sustento. Faço minha farinha e vendo, não ganho muito, mas é como eu sustento a minha família e eu sou grata por isso".

Símbolo de identidade cultural


A farinha de mandioca está presente nas mesas de norte a sul do estado de Roraima, ela faz parte da alimentação cotidiana da população roraimense e ocupa um lugar de destaque na culinária regional. Este prato típico da região movimenta a economia local e mantém viva uma tradição transmitida entre gerações.


“A gente lembra da roça como um lugar por onde passaram nossos avós, nossos pais e agora nós. E sei que, daqui a algum tempo, meus filhos também vão passar por ela, porque a roça é o sustento de muita gente”, disse.

Ouça abaixo Sandra Laurindo contando sua história:


Histórias como a de Sandra Laurindo de Oliveira comprovam a importância da mulher empreendedora no mercado, que em Roraima vêm conquistando cada vez mais espaço no mundo dos negócios. Além de contribuir para a geração de renda e o sustento das famílias, elas atuam em áreas ligadas à agricultura familiar e aos conhecimentos tradicionais.


No cenário nacional não é diferente, o empreendedorismo feminino vem se destacando cada vez mais, revelando não apenas o potencial empreendedor das mulheres, mas também sua força transformadora na sociedade.


Segundo o Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas em Roraima (Sebrae/RR), no estado, empresas lideradas por mulheres desempenham um papel fundamental no fortalecimento da economia local, gerando renda, independência econômica e afirmação do protagonismo feminino no mercado.


Mulheres empreendedoras não apenas movimentam negócios, mas também inspiram mudanças sociais, ampliando as oportunidades e reforçando a presença da mulher no cenário econômico roraimense.


O processo de produção da farinha de mandioca:



 
 
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