Empreendedora transforma recomeço após câncer em negócio de dindins personalizados
- 5 de jun.
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Vanessa dos Santos começou a empreender após participar de projeto do Sebrae e hoje busca ampliar vendas com produtos inspirados na Copa do Mundo
Por Efraim e Vitor Miguel
O empreendedorismo feminino em Roraima tem crescido nos últimos anos e movimentado a economia local. Dados do Sebrae apontam que, em 2026, 44,3% das empresas no estado são gerenciadas por mulheres, um crescimento de 35,5% em relação ao ano anterior. Apesar do avanço, empreendedoras ainda enfrentam desafios para consolidar os negócios e transformar boas ideias em renda estável.
Foi nesse cenário que Vanessa dos Santos Andrade, de 46 anos, encontrou no empreendedorismo uma forma de recomeçar. Após enfrentar um câncer e passar por um período emocional difícil, ela decidiu buscar novos caminhos.
“Eu tive uma depressão pós-trauma. Na busca de reagir, encontrei o projeto Semana da Mulher, idealizado pelo Sebrae. Foi aí onde tudo começou”, contou.
Em 2023, Vanessa conheceu o projeto Sebrae Delas, voltado ao fortalecimento do empreendedorismo feminino. A partir dessa experiência, começou a amadurecer a ideia de ter o próprio negócio. No fim de 2025, nasceu a “Delícias Dinessa”, marca especializada na venda de dindins artesanais.

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Vanessa conta que nunca havia planejado ser empreendedora. Com o passar do tempo, porém, percebeu que poderia crescer no ramo de doces. Para se dedicar mais ao negócio, decidiu deixar seu cargo de funcionária pública.
A empreendedora passou a atuar em eventos esportivos e sociais com uma barraca personalizada. A decisão de dedicar mais tempo às vendas veio depois de perceber o potencial financeiro da atividade. Em uma única ocasião, segundo ela, conseguiu faturar o equivalente ao salário integral que recebia anteriormente em seu antigo cargo.
Para o economista da Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan), Fábio Martinez, o trabalho por conta própria tem se tornado uma tendência, não apenas em Roraima, mas em todo o país. Ele explica que muitas pessoas enxergam no empreendedorismo a possibilidade de ganhos maiores e mais autonomia, mas alerta que o caminho exige planejamento.
“Quando a pessoa tenta o próprio empreendimento, ela tem uma possibilidade de crescimento muito mais acentuada do que poderia ter trabalhando via CLT. Mas também é uma carga de trabalho mais acentuada, porque depende dela para conseguir o ganho no final do mês”, explicou.
Segundo Martinez, quem empreende precisa considerar que, ao deixar o emprego formal, também deixa de contar com benefícios como décimo terceiro salário, férias, auxílios e garantias trabalhistas.
“É importante que a pessoa fique atenta a essas situações, porque elas podem acabar prejudicando quem começa a trabalhar de forma informal ou por conta própria”, destacou.
A experiência de Vanessa mostra bem uma realidade comum entre pequenos empreendedores: vender bem em um evento não significa, necessariamente, ter lucro alto. Para o economista, entender a diferença entre faturamento e lucro é essencial para manter o negócio saudável.
Planejamento e conhecimento do negócio
Vanessa afirma que já teve prejuízos em tentativas anteriores e, por isso, passou a buscar um produto com menor risco de perda. A escolha pelos dindins veio justamente pela facilidade do congelamento e reaproveitamento.
“Existem custos extras, como água, luz e gás. A minha ideia é ampliar o negócio, mas ainda estou estudando a forma que farei isso”, disse Vanessa.
Para Martinez, essa escolha pode ajudar pequenos negócios a reduzirem perdas.
“Produtos com maior durabilidade são importantes, porque qualquer prejuízo impacta muito as finanças de um pequeno negócio. Se a pessoa não consegue vender e precisa jogar fora, isso pesa diretamente no caixa”, afirmou.
E com a chegada da Copa do Mundo de 2026, Vanessa decidiu aproveitar o clima esportivo para inovar no cardápio. Ela criou o dindin “verde e amarelo”, feito de menta e leite condensado, com as cores da bandeira do Brasil. O produto também conta com embalagem personalizada.

A estratégia de aproveitar datas comemorativas, eventos esportivos e feiras pode ser uma alternativa importante para pequenos empreendedores, segundo Fábio Martinez. Ele ressalta que locais com grande circulação de pessoas costumam ampliar as chances de venda.

“Eventos escolares, esportivos, feiras e lugares que agregam muitas pessoas ajudam nas vendas. Mas também é importante usar as redes sociais nos períodos em que não há eventos, divulgando os produtos e buscando novos clientes”, explicou.
O economista também lembra que, em Boa Vista, muitos trabalhadores autônomos conseguem ampliar a renda vendendo produtos em repartições públicas e outros locais de grande circulação.
Fábio também ressalta que a formalização como Microempreendedor Individual (MEI) pode ser um passo importante para quem deseja crescer com mais segurança.
“O MEI é muito importante porque representa a formalização. Quando a pessoa paga os impostos, passa a ter algumas garantias, principalmente envolvendo o INSS, como aposentadoria e afastamento por doença”, afirmou.
Além da proteção previdenciária, o economista explica que a formalização também pode facilitar a compra de insumos no atacado, reduzindo custos e melhorando a margem de lucro.
“Quando você se formaliza, consegue comprar de empresas, acessar melhores preços e reduzir custos. Essa formalização simplificada ajuda tanto na segurança quanto no crescimento do negócio”, destacou.




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